Enxaquecas: tipos, causas e tratamentos
A enxaqueca é uma das formas mais comuns de dor de cabeça, mas também uma das mais incapacitantes. A típica dor intensa pode vir acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz e ao som, e interferir significativamente com as atividades do dia a dia.
Afeta milhões de pessoas em todo o mundo e é mais frequente nas mulheres, podendo surgir desde a adolescência e persistir ao longo da vida adulta. Embora não exista uma cura definitiva, existem atualmente várias estratégias eficazes para controlar os sintomas e reduzir a frequência das crises.
Compreender as causas, os fatores desencadeantes e as opções de tratamento é essencial para melhorar a qualidade de vida de quem vive com esta condição.
O que é uma enxaqueca?
A enxaqueca é um tipo de cefaleia primária, ou seja, não resulta de outra doença subjacente. Está relacionada com alterações na atividade cerebral e na forma como o sistema nervoso processa a dor.
As crises podem durar entre algumas horas e vários dias e tendem a ocorrer de forma recorrente. Em muitos casos, a dor localiza-se num dos lados da cabeça e tem carácter pulsátil, podendo agravar-se com atividade física ou movimento.
Algumas pessoas apresentam ainda uma fase chamada aura, que ocorre antes da dor e pode incluir sintomas neurológicos temporários, como alterações visuais, formigueiros ou dificuldade em falar.
Quais são os principais sintomas de enxaqueca?
A enxaqueca pode manifestar-se de diferentes formas, mas existem sintomas característicos que ajudam a distingui-la de outras dores de cabeça:
- Dor moderada a intensa e pulsátil ou latejante;
- Náuseas ou vómitos;
- Sensibilidade à luz e ao ruído;
- Alterações da visão temporárias: pontos luminosos, linhas em ziguezague ou visão turva.
Durante uma crise, é comum que a pessoa prefira permanecer num ambiente escuro e silencioso.
Quais são as causas de enxaqueca?
A enxaqueca resulta de uma combinação de fatores genéticos e neurológicos. Pessoas com historial familiar têm maior probabilidade de desenvolver a condição.
Durante uma crise, ocorrem alterações na atividade de determinadas regiões do cérebro e na libertação de substâncias químicas que participam na transmissão da dor e na inflamação dos vasos sanguíneos cerebrais.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida, sabe-se que certos fatores podem desencadear as crises em pessoas predispostas.
Fatores que podem desencadear crises de enxaqueca
Os desencadeantes variam de pessoa para pessoa, mas alguns fatores são frequentemente identificados:
- Stress;
- Alterações no padrão do sono
- Certos alimentos, incluindo álcool, chocolate, queijos curados ou alimentos ricos em aditivos;
- Alterações hormonais, especialmente nas mulheres;
- Exposição prolongada a luz intensa, odores fortes ou ambientes ruidosos.
Como é feito o diagnóstico de enxaqueca?
O diagnóstico da enxaqueca é essencialmente clínico e baseia-se na descrição detalhada dos sintomas e do padrão das crises.
O médico neurologista avalia a duração, localização e características da dor, bem como os sintomas associados.
Na maioria dos casos, não são necessários exames complementares. No entanto, se existirem sinais atípicos ou sintomas neurológicos persistentes, podem ser solicitados exames de imagem, como ressonância magnética, para excluir outras causas de dor de cabeça.
Tratamento das crises de enxaqueca
O tratamento pode ser dividido em duas abordagens: o controlo das crises quando surgem e a prevenção de episódios futuros.
Durante uma crise, podem ser utilizados analgésicos ou medicamentos específicos para enxaqueca, que atuam sobre os mecanismos envolvidos na dor. É importante tomar a medicação nas fases iniciais da crise para maior eficácia.
Em casos de crises frequentes ou particularmente incapacitantes, pode ser necessário iniciar tratamento preventivo. Estes medicamentos são tomados regularmente e têm como objetivo reduzir a frequência e intensidade das crises.
Estratégias de prevenção de enxaqueca
Para além da medicação, identificar e evitar fatores desencadeantes pode ajudar a reduzir a frequência das crises.
Manter horários de sono regulares, garantir uma boa hidratação, praticar atividade física moderada e adotar estratégias de gestão do stress são medidas que podem fazer diferença.
Algumas pessoas beneficiam também de manter um diário de enxaquecas, registando quando ocorrem as crises e quais os possíveis fatores associados.
A enxaqueca é uma condição neurológica frequente que pode ter impacto significativo na qualidade de vida. No entanto, com diagnóstico adequado e um plano de tratamento personalizado, é possível controlar os sintomas e reduzir a frequência das crises.
Na CliniAlba, o nosso corpo clínico de Neurologia permite uma avaliação detalhada das enxaquecas, identificando fatores desencadeantes e definir estratégias terapêuticas adaptadas a cada paciente.

