O melasma é uma das queixas dermatológicas mais comuns, especialmente entre mulheres. As manchas escuras, que surgem sobretudo na face, podem ser persistentes, resistentes ao tratamento e com tendência a reaparecer, o que torna o seu controlo um processo de longo prazo. Perceber o que está na origem do melasma é o primeiro passo para o gerir de forma eficaz.

Ao contrário do que por vezes se assume, o melasma não é apenas uma questão estética. É uma condição crónica com causas identificáveis que, quando bem acompanhada por um/a dermatologista, pode ser controlada de forma significativa.

O que é o melasma?

O melasma é uma forma de hiperpigmentação adquirida que se caracteriza pelo aparecimento de manchas de coloração castanha ou acinzentada, geralmente simétricas, na face. As localizações mais comuns incluem as bochechas, o nariz, o lábio superior e a testa, embora possam surgir noutras zonas de exposição solar habitual, como o pescoço ou os antebraços.

A condição resulta de um aumento localizado da produção de melanina pelos melanócitos, as células responsáveis pelo pigmento da pele. Estes ficam hiperativados por uma combinação de estímulos hormonais, exposição solar e predisposição individual, criando as manchas características.

O melasma afeta sobretudo mulheres em idade fértil – estima-se que entre 90% e 95% dos casos ocorram em mulheres. É também mais frequente em fotótipos médios a elevados (fotótipos III a V), o que significa que pessoas de pele morena, mediterrânea, latino-americana, asiática ou africana são proporcionalmente mais afetadas.

Nos homens, os casos existem, mas representam uma minoria e seguem o mesmo padrão de apresentação.

O que causa o melasma?

O melasma é multifatorial: raramente tem uma única causa, e a sua origem envolve a combinação de vários fatores.

Exposição solar
A radiação ultravioleta é o principal gatilho do melasma – o sol estimula os melanócitos a produzir mais pigmento.

Em pessoas com predisposição para esta condição, esse processo acontece de forma desregulada e localizada. É por este motivo que o melasma tende a agravar-se nos meses de maior exposição solar e a melhorar ligeiramente no inverno, embora raramente desapareça de forma espontânea.

A radiação visível, incluindo a luz azul emitida por ecrãs de computador e telemóvel, também pode contribuir para a hiperpigmentação (um campo ainda em estudo, mas com relevância crescente para pessoas que passam muitas horas expostas a iluminação artificial intensa).

Hormonas
As alterações hormonais são outro fator determinante. O melasma está frequentemente associado à gravidez (denominado neste contexto “cloasma gravídico” ou “máscara da gravidez”), à utilização de contracetivos hormonais e à terapêutica hormonal de substituição. Estrogénios e progesterona estimulam os melanócitos de forma direta, o que explica a elevada prevalência desta condição em mulheres em idade reprodutiva.

Após a gravidez ou a cessação da contraceção hormonal, o melasma pode melhorar, mas nem sempre desaparece por completo.

Predisposição genética e fotótipo
Ter familiares com melasma aumenta a probabilidade de desenvolver a condição. A predisposição genética, combinada com um fotótipo que responde de forma mais intensa à exposição solar, cria um terreno favorável ao aparecimento das manchas.

Esta componente familiar é um dado relevante a partilhar com o/a dermatologista na primeira consulta.

Outros fatores
Determinados cosméticos com ingredientes foto-tóxicos, medicamentos fotossensibilizantes e, em alguns casos, a exposição repetida a calor intenso também podem agravar ou desencadear o melasma em pessoas predispostas.

Como é que o melasma se apresenta e como é classificado?

As manchas do melasma têm características que as distinguem de outras formas de hiperpigmentação. São, tipicamente, irregulares nos contornos, mas com bordos relativamente bem definidos; a coloração pode variar do castanho-claro ao acastanhado-acinzentado, dependendo da profundidade das manchas na pele.

Em termos de localização nas camadas cutâneas, o melasma pode ser classificado como:
Epidérmico: as manchas estão nas camadas mais superficiais da pele, tendem a ter uma coloração mais castanho-clara e respondem melhor ao tratamento tópico.

Dérmico: o pigmento está em camadas mais profundas, resultando em manchas num tom mais acinzentado. A resposta ao tratamento é geralmente mais lenta e menos previsível.

Misto: a situação mais comum, com pigmento presente tanto nas camadas superficiais como nas mais profundas. Requer uma abordagem terapêutica combinada.

Esta distinção é clinicamente relevante porque determina, em parte, a estratégia de tratamento mais adequada para cada caso — e é precisamente por isso que o diagnóstico deve ser feito por um/a especialista.

Como se faz o diagnóstico de melasma?

O diagnóstico do melasma é essencialmente clínico, feito por um/a dermatologista com base na observação das manchas. Na maioria dos casos, a apresentação é suficientemente característica para não requerer outros exames.

Uma parte importante da consulta é o historial clínico: perceber quando surgiram as manchas, se existe relação com gravidez ou contraceção hormonal, qual a exposição solar habitual e se houve uso de cosméticos ou medicamentos potencialmente implicados.

Em casos atípicos ou de diagnóstico incerto, pode ser necessária uma biópsia cutânea para excluir outras causas de hiperpigmentação, como o lentigo solar ou outras alterações pigmentares que seguem uma abordagem terapêutica diferente.

O que realmente ajuda a controlar o melasma?

O tratamento do melasma é sempre personalizado e requer paciência. A abordagem eficaz combina, habitualmente, vários elementos em simultâneo, e os resultados são progressivos, não imediatos.

Fotoproteção
A fotoproteção é o alicerce de qualquer estratégia de tratamento. Sem proteção solar rigorosa e consistente, qualquer outro tratamento terá resultados limitados. A exposição solar, mesmo que breve, pode reverter em dias o progresso obtido com semanas de tratamento tópico. Conhecer os erros mais comuns na aplicação do protetor solar pode fazer a diferença no controlo das manchas.

A recomendação para pessoas com melasma é usar protetor solar de largo espetro (com proteção UVA, UVB e, idealmente, contra luz visível) com SPF 50+, todos os dias, mesmo em dias nublados ou em interiores. A reaplicação regular durante a exposição direta e o uso de chapéu de abas largas reforçam a eficácia da proteção.

Agentes tópicos despigmentantes
Os tratamentos tópicos são a primeira linha de abordagem em muitos casos de melasma. Existem vários ingredientes com evidência clínica reconhecida:

Hidroquinona: durante décadas considerada o padrão de referência no tratamento do melasma, inibe a enzima responsável pela produção de melanina. A sua utilização é feita sob prescrição médica, em concentrações e durações definidas pelo/a dermatologista, dado o potencial de efeitos adversos com uso prolongado ou em concentrações elevadas.

Ácido tranexâmico: com crescente evidência na literatura científica, disponível em formulação tópica e oral. Atua por vias distintas da hidroquinona e pode ser uma alternativa eficaz, inclusive em casos de resposta insuficiente a outros tratamentos.

Ácido azelaico, ácido kójico e vitamina C: agentes com ação despigmentante mais suave, frequentemente utilizados em associação ou como manutenção. São geralmente bem tolerados e adequados para utilizações mais prolongadas.

Retinoides: o tretinoína e outros derivados da vitamina A estimulam a renovação celular e potenciam a ação de outros despigmentantes. São utilizados com precaução, em particular nos meses de maior exposição solar.

A maioria destes tratamentos requer várias semanas ou meses para produzir resultados visíveis. É igualmente importante saber que a interrupção sem as medidas de manutenção adequadas pode levar à recidiva das manchas.

Procedimentos dermatológicos
Em casos de melasma resistente ao tratamento tópico, ou como complemento deste, o/a dermatologista pode recomendar procedimentos específicos:

Peelings químicos: utilizando ácidos em concentrações controladas, promovem a renovação das camadas superficiais da pele e podem reduzir a hiperpigmentação. A escolha do agente e da profundidade deve ser cuidadosamente adaptada ao fototipo, para evitar complicações como hiperpigmentação pós-inflamatória.

Laser e luz intensa pulsada (IPL): algumas tecnologias têm mostrado eficácia em determinados subtipos de melasma, mas a sua utilização exige cautela. Em fotótipos mais escuros, o risco de agravamento ou de hiperpigmentação pós-tratamento é uma limitação real que deve ser discutida antes de qualquer procedimento.

Microagulhamento com ativos despigmentantes: uma abordagem mais recente, com resultados promissores, que facilita a penetração dos ingredientes ativos nas camadas mais profundas da pele.

Nota importante: o uso não supervisionado de produtos com concentrações elevadas de despigmentantes, adquiridos sem prescrição, pode provocar irritação e, paradoxalmente, hiperpigmentação pós-inflamatória. A automedicação no melasma é um risco que pode complicar e prolongar o tratamento.

Quando consultar um/a dermatologista?

Deve consultar um/a dermatologista sempre que surjam manchas na pele cuja origem não seja clara, ou quando manchas já existentes se agravem ou mudem de aspeto. Saber o que vigiar na pele e quando marcar consulta é essencial para distinguir o melasma de outras alterações pigmentares que têm implicações clínicas diferentes.

No caso específico do melasma, a consulta é indicada quando as manchas são extensas, persistentes, ou quando existe a intenção de iniciar tratamentos com ingredientes ativos (ácidos, retinoides, hidroquinona) que requerem orientação médica. A avaliação especializada é também o ponto de partida para perceber qual o subtipo de melasma e qual a estratégia terapêutica mais adequada para cada caso.

O melasma tem cura?

O melasma é uma condição crónica sem cura definitiva. Com tratamento adequado e fotoproteção consistente, é possível controlar as manchas e reduzir significativamente a sua intensidade.

A manutenção dos resultados depende, em grande parte, da continuidade das medidas de proteção solar ao longo do tempo.

O melasma agrava com a gravidez?

Sim. A gravidez é um dos principais fatores de agravamento do melasma, devido às alterações hormonais características deste período. Após o parto, as manchas podem melhorar espontaneamente, mas em muitos casos persistem e requerem tratamento posterior.

Posso tratar o melasma durante a gravidez?

Muitos dos tratamentos utilizados no melasma não são recomendados durante a gravidez (nomeadamente hidroquinona e retinoides). A fotoproteção rigorosa é a principal medida disponível neste período.

Deve sempre consultar o/a dermatologista antes de iniciar qualquer tratamento, para que a abordagem seja adaptada à situação específica.

O melasma agrava sempre com o sol?

Sim. A exposição solar, mesmo em quantidades pequenas e sem que ocorra queimadura, estimula a produção de pigmento e é o principal fator de recidiva. A fotoproteção diária e consistente, independentemente da estação do ano, é incontornável no controlo do melasma.

O melasma é uma condição que, corretamente diagnosticada e acompanhada, tem respostas de tratamento positivas. A chave está na combinação de um diagnóstico preciso, uma estratégia terapêutica personalizada e, acima de tudo, uma fotoproteção rigorosa e mantida no tempo. Não existe um tratamento único que funcione para todos, e é exatamente por isso que o acompanhamento especializado faz diferença.

Na CliniAlba, a consulta de Dermatologia permite uma avaliação completa das manchas cutâneas, com diagnóstico, classificação do tipo de melasma e orientação terapêutica individualizada, incluindo o acompanhamento continuado para ajustar a abordagem ao longo do processo de tratamento.