O cancro da pele é a neoplasia mais frequente em Portugal e em toda a Europa. Apesar disso, é também um dos cancros com maior potencial de prevenção e, quando detetado precocemente, com prognóstico mais favorável.
A maioria dos casos está diretamente relacionada com a exposição cumulativa à radiação ultravioleta, o que significa que muitos deles são evitáveis.
Prevenir o cancro da pele não implica evitar o sol de forma absoluta. Implica, sim, adotar hábitos consistentes de fotoproteção, conhecer os fatores que aumentam o risco individual e saber reconhecer as alterações cutâneas que merecem avaliação médica.
Quais são os tipos de cancro da pele mais comuns?
Existem três tipos principais, com características e graus de gravidade distintos:
Carcinoma basocelular: o mais frequente de todos, com origem nas células da camada basal da epiderme. Cresce lentamente e raramente metastiza, mas pode causar destruição local significativa se não for tratado. Surge habitualmente em zonas de exposição solar crónica, como o rosto, o nariz e as orelhas.
Carcinoma espinocelular: também muito comum, com origem nas células escamosas da epiderme. Tem maior potencial de disseminação do que o basocelular, especialmente em localizações específicas como os lábios ou as orelhas. Está frequentemente associado a queratoses actínicas, lesões pré-malignas causadas pela exposição solar acumulada.
Melanoma: menos frequente, mas o mais agressivo dos três. Tem origem nos melanócitos (as células que produzem pigmento) e apresenta maior risco de metastização. A deteção precoce é determinante para o prognóstico: o melanoma diagnosticado em estádio inicial tem taxas de sobrevivência muito superiores ao diagnosticado em estádios avançados.
Quem tem maior risco de desenvolver cancro da pele?
Qualquer pessoa pode desenvolver cancro da pele, mas alguns fatores aumentam o risco de forma significativa:
Fototipo baixo: peles claras, cabelo louro ou ruivo, olhos claros e tendência para queimar com facilidade ao sol (fototipos I e II) apresentam menor quantidade de melanina protetora e, por isso, maior vulnerabilidade à radiação UV.
Exposição solar acumulada e histórico de queimaduras: a radiação UV acumula-se ao longo da vida. Queimaduras solares na infância e adolescência estão associadas a um risco significativamente maior de melanoma em idade adulta.
Uso de solários: a radiação UVA emitida pelos solários aumenta o risco de melanoma. A Organização Mundial de Saúde classifica os solários como carcinogénios do grupo 1 – a mesma categoria do tabaco.
Histórico familiar ou pessoal: ter um familiar direto com melanoma, ou ter tido previamente qualquer tipo de cancro da pele, aumenta o risco de recorrência ou de desenvolvimento de novas lesões.
Elevado número de nevos (pintas): quem tem mais de 50 nevos comuns, ou nevos atípicos (maiores, de bordos irregulares ou coloração heterogénea), requer vigilância dermatológica regular.
Imunossupressão: pessoas a realizar tratamentos imunossupressores ou com doenças que afetam o sistema imunitário têm maior risco de desenvolver carcinomas cutâneos.
Como prevenir o cancro da pele no dia a dia?
Proteção solar adequada
A proteção solar é a medida preventiva mais eficaz e mais acessível. O uso diário de protetor solar com fator de proteção (SPF) adequado reduz significativamente a exposição cumulativa à radiação UV, responsável não só pelo cancro da pele, mas também pelo envelhecimento precoce da pele, pelo aparecimento de manchas e pela degradação do colagénio.
A recomendação geral é usar protetor solar de largo espetro (UVA e UVB) com SPF mínimo de 30, sendo preferível SPF 50 em peles claras, crianças ou em períodos de exposição prolongada.
Tão importante quanto o SPF é a quantidade aplicada e a reaplicação regular: o protetor deve ser reaplicado, no mínimo, de duas em duas horas durante a exposição solar, e imediatamente após o banho ou transpiração intensa.
Evitar a exposição solar nas horas de pico
A radiação UV atinge a sua intensidade máxima entre as 11h00 e as 16h00. Neste intervalo, a exposição solar direta deve ser evitada ou reduzida ao mínimo, especialmente nos meses de verão e em latitudes de maior intensidade solar.
Procurar sombra, usar chapéu de abas largas e roupa com proteção UV são medidas complementares ao protetor solar, não alternativas.
Nunca usar solários
Não existe dose segura de radiação UV artificial. Os solários emitem radiação UVA numa intensidade muito superior à do sol natural, aumentando de forma direta o risco de melanoma.
A utilização de solários antes dos 35 anos aumenta o risco de melanoma em cerca de 59%, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Em Portugal, a sua utilização está proibida para menores de 18 anos.
Monitorizar regularmente a pele
A autovigilância é uma competência de saúde que todos podem desenvolver. Observar a pele de forma sistemática (incluindo o couro cabeludo, as costas, a planta dos pés e os espaços interdigitais) permite identificar precocemente alterações que merecem avaliação médica.
Esta observação deve ser feita mensalmente, com boa iluminação e, idealmente, com a ajuda de um espelho para as zonas de difícil acesso.
Quando consultar um/a dermatologista?
A consulta de dermatologia deve ser marcada sempre que existam dúvidas sobre uma lesão cutânea. Mas não é necessário esperar por um sinal de alerta para fazer uma avaliação: a vigilância periódica é recomendada para qualquer pessoa, independentemente do risco individual.
Saber o que vigiar e quando marcar consulta é, por si só, uma forma de cuidar ativamente da saúde da pele.
Em contexto clínico, o/a dermatologista recorre à dermatoscopia – um exame de imagem não invasivo que amplia e ilumina as lesões cutâneas, permitindo avaliar características que não são visíveis a olho nu.
Em casos de maior complexidade ou risco elevado, pode ser indicado o mapeamento corporal total, que regista fotograficamente todas as lesões e permite monitorizar a sua evolução ao longo do tempo.
As indicações mais claras para consulta incluem:
Qualquer lesão que mude de aspeto: mesmo que a mudança pareça subtil.
Lesões que sangram, coçam ou formam crosta sem causa aparente.
Aparecimento de novas lesões pigmentadas em adultos, especialmente após os 40 anos.
Histórico pessoal ou familiar de melanoma: nestas situações, a vigilância anual é recomendada como rotina.
Elevado número de nevos ou presença de nevos atípicos: requer acompanhamento regular mesmo na ausência de sintomas.
O cancro da pele é, na grande maioria dos casos, uma doença que pode ser prevenida. A adoção de hábitos consistentes de fotoproteção, a autovigilância regular e o recurso atempado à consulta de dermatologia são as medidas mais eficazes para reduzir o risco e garantir o diagnóstico precoce quando necessário.
Na CliniAlba, a consulta de Dermatologia permite uma avaliação detalhada e especializada da pele, acompanhada de orientações personalizadas para a fotoproteção e vigilância adequadas ao perfil de cada pessoa.

