A chegada do verão aumenta a exposição solar de forma considerável; as atividades ao ar livre, as horas na praia e em piscinas acumulam-se e, com elas, o tempo que a pele passa exposta à radiação ultravioleta.

No entanto, é também a altura mais propícia a erros de fotoproteção, e as suas consequências são mais visíveis.

A radiação UV é hoje considerada o principal fator de risco para o cancro da pele, a neoplasia mais frequente em Portugal e em toda a Europa. Mas os seus efeitos não se limitam ao risco oncológico: o envelhecimento precoce da pele, o aparecimento de manchas, a degradação do colagénio e o agravamento de condições como o melasma e a rosácea são também consequências diretas de uma exposição solar sem proteção adequada.

O protetor solar existe e está disponível. A grande maioria das pessoas sabe que deve usá-lo. E, no entanto, os erros na sua aplicação são transversais e comuns.

Neste artigo, identificamos os quatro erros mais frequentes que comprometem a eficácia da proteção solar e explicamos o que pode fazer para garantir que o seu protetor solar realmente protege.

Erro 1: aplicar quantidade insuficiente de protetor solar

Este é, provavelmente, o erro mais comum e também um dos que tem maior impacto na eficácia da proteção.

A maioria das pessoas aplica muito menos protetor solar do que aquilo que seria necessário para atingir o fator de proteção indicado na embalagem.

As normas internacionais que regulam os testes de SPF (Sun Protection Factor) são realizadas com uma quantidade padronizada de 2 mg por cm² de pele. Na prática, isto significa que um adulto médio necessita de, pelo menos, 35 ml de protetor solar (o equivalente a pouco mais de uma colher de sopa) para cobrir adequadamente o corpo inteiro numa única aplicação.

A maioria dos utilizadores aplica apenas 25 a 50% da quantidade recomendadam o que significa que pode reduzir a proteção efetiva de um SPF 50 para algo próximo de um SPF 7 ou 8.

As fórmulas mais modernas de protetor solar têm texturas muito mais ligeiras do que os de gerações anteriores, o que cria a ilusão de que uma pequena quantidade é suficiente para cobrir toda a superfície.

Dica prática: para o rosto e pescoço, coloque protetor solar em toda a extensão dos dedos indicador, intermédio e anelar, garantido assim o mínimo adequado. Para o corpo, utilize a extensão de todos os dedos de uma mão.

Erro 2: não reaplicar o protetor ao longo do dia

Aplicar protetor solar de manhã, antes de sair de casa, é um hábito já razoavelmente interiorizado. Mas muitos assumem que essa aplicação única é suficiente para todo o dia.

O protetor solar não é permanente. A exposição à luz solar, ao suor, à água e ao contacto mecânico com toalhas, roupa ou simplesmente com as próprias mãos provoca a degradação da eficácia ao longo do tempo.

E os protetores solares resistentes à água?
A resistência à água indicada em alguns produtos não significa que o protetor seja à prova de banho; significa apenas que a sua eficácia se mantém durante um período limitado de imersão, geralmente entre 40 a 80 minutos, consoante a classificação do produto.

A recomendação das principais sociedades científicas de dermatologia é clara: o protetor solar deve ser reaplicado, no mínimo, a cada duas horas durante a exposição solar direta.

Após o banho, após transpiração intensa ou após o uso de uma toalha, a reaplicação deve ser imediata, independentemente de quanto tempo passou desde a última aplicação. Este aspeto é particularmente relevante nos meses de verão, em que a intensidade da radiação UV é máxima entre as 11h00 e as 16h00 – um intervalo em que muitas pessoas se encontram ativamente expostas ao sol.

A reaplicação é tão importante quanto a aplicação inicial. Um protetor solar excelente que não seja reaplicado pode oferecer menos proteção efetiva do que um produto de gama intermédia aplicado corretamente ao longo do dia.

Erro 3: escolher um fator de proteção ou fórmula inadequados

Nem todos os protetores solares são iguais, e a escolha do produto certo importa tanto quanto a forma como é utilizado.

Há dois aspetos críticos que frequentemente passam despercebidos: o fator de proteção (SPF) e o tipo de proteção oferecida.

Sobre o SPF
O SPF mede a proteção contra a radiação UVB, responsável pelas queimaduras solares. Porém, este valor não é proporcional: um SPF 30 não protege o dobro de um SPF 15. A diferença é marginal a partir de certos valores – um SPF 30 bloqueia cerca de 97% da radiação UVB, enquanto um SPF 50 bloqueia aproximadamente 98%. Esta diferença é clinicamente relevante, mas não justifica a sensação de segurança absoluta que alguns associam a fatores mais elevados.

A recomendação geral da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia aponta para o uso de protetor solar com SPF mínimo de 30, sendo preferível SPF 50 ou superior em peles claras, fototipos I e II, crianças, pessoas com historial de cancro da pele ou durante exposição solar prolongada.

Sobre a proteção UVA
Tão importante quanto o SPF é a proteção contra radiação UVA (a responsável pelo envelhecimento cutâneo, pela formação de manchas e por danos no ADN celular que aumentam o risco oncológico a longo prazo).

A radiação UVA penetra mais profundamente na pele e mantém-se presente mesmo em dias nublados e no interior de espaços com janelas.

Um protetor solar verdadeiramente eficaz deve oferecer proteção de largo espetro (UVA e UVB). Em produtos comercializados na Europa, a proteção UVA é indicada pelo símbolo “UVA” dentro de um círculo na embalagem.

Protetores sem esta indicação, ou que apenas referem o SPF, podem deixar a pele exposta a um tipo de radiação com consequências crónicas significativas.

Sobre a fórmula
A textura e a formulação do protetor solar também determinam a adesão ao uso.

Um produto com uma textura inadequada ao tipo de pele (demasiado oleoso para peles mistas ou acneicas, ou demasiado leve para peles secas expostas a condições extremas) vai ser aplicado em menor quantidade e com menor frequência.

Existe atualmente uma vasta gama de fórmulas: fluidos, géis, sprays, emulsões, pós solares, protetores com cor. A escolha de um produto compatível com o tipo de pele e o estilo de vida facilita, de forma considerável, a consistência no uso.

Erro 4: ignorar as zonas frequentemente esquecidas

Mesmo quando o protetor solar é aplicado em quantidade adequada e com a frequência certa, existem áreas do corpo que sistematicamente ficam de fora e que são, frequentemente, as primeiras a evidenciar danos solares ou a desenvolver lesões dermatológicas preocupantes.

As zonas mais frequentemente esquecidas incluem:

Orelhas e pavilhão auricular: uma área de exposição solar contínua e direta, particularmente vulnerável, onde o cancro da pele apresenta uma incidência relativamente elevada. Muitas pessoas protegem o rosto, mas ignoram completamente a orelha (tanto a frente como o contorno posterior).

Nuca e pescoço: especialmente relevante em atividades ao ar livre como ciclismo, caminhada ou jardinagem, onde a parte posterior do pescoço fica exposta de forma prolongada e muitas vezes sem qualquer proteção.

Pés e parte superior dos tornozelos: frequentemente expostos na praia ou em sandálias, mas raramente cobertos com protetor solar. A parte superior do pé é uma localização cada vez mais comum para lesões na pele.

Lábios: a pele dos lábios é particularmente fina e sensível, sem melanócitos em quantidade suficiente para oferecer qualquer proteção natural. O uso de bálsamo labial com SPF adequado é fortemente recomendado.

Couro cabeludo e linha de cabelo: em pessoas com cabelo fino, calvície parcial ou total, ou uso de penteados que expõem o couro cabeludo, esta zona é altamente vulnerável à radiação solar. O uso de chapéu ou protetor solar em spray ou pó é essencial.

Pálpebras e zona periocular: uma das regiões de pele mais fina do corpo, exposta de forma constante. Protetores solares formulados especificamente para a zona ocular, ou aqueles indicados como seguros para uso próximo dos olhos, oferecem proteção sem risco de irritação.

Muitas lesões dermatológicas malignas surgem precisamente nas zonas menos protegidas, não porque a pele seja mais frágil nessas áreas, mas porque a proteção solar raramente chega até lá.

Como garantir que a sua proteção solar é realmente eficaz?

Corrigir os erros identificados não exige grandes mudanças de rotina; exige, essencialmente, informação e consistência.

Algumas orientações práticas ajudam a tornar a proteção solar uma parte natural do dia a dia, mesmo nos meses mais quentes:

Aplique antes da exposição: o protetor solar deve ser aplicado entre 15 a 30 minutos antes de se expor ao sol, especialmente os filtros solares de base química, que precisam de ser absorvidos pela pele antes de se tornarem ativos.

Não dependa apenas do protetor: a fotoproteção mais eficaz é multifatorial. O uso de vestuário com proteção UV, chapéus de abas largas, óculos de sol com proteção UV400 e a procura de sombra nas horas de maior intensidade solar complementam (e potenciam) o protetor solar.

Verifique a validade do produto: os protetores solares têm prazo de validade. Após a abertura, a maioria tem um período de utilização recomendado de 12 meses, indicado pelo símbolo do frasco aberto na embalagem. Um protetor degradado pode ter eficácia significativamente reduzida.

Proteja-se mesmo em dias nublados: até 80% da radiação UV atravessa as nuvens. A ausência de calor ou sol intenso não significa ausência de radiação – um erro particularmente comum em dias de céu coberto ou em altitudes elevadas.

Adapte o protetor à atividade: para atividades aquáticas ou desportivas com transpiração intensa, opte por fórmulas resistentes à água com proteção de largo espetro, e antecipe a necessidade de reaplicação mais frequente.

Quando consultar um dermatologista?

A proteção solar é uma das medidas preventivas mais eficazes na dermatologia, mas não substitui a vigilância médica regular. A consulta de dermatologia é recomendada para a avaliação periódica de manchas e lesões cutâneas, especialmente em pessoas com fototipo baixo, historial familiar de melanoma, grande número de lesões pigmentadas ou exposição solar acumulada ao longo dos anos.

Qualquer alteração numa lesão já existente (mudança de cor, forma irregular, crescimento progressivo, sangramento ou aparecimento de prurido) é um motivo para procurar avaliação médica.

Saber o que vigiar e quando marcar consulta é, por si só, uma competência de saúde que pode fazer a diferença no diagnóstico precoce.

O diagnóstico precoce do cancro da pele, particularmente do melanoma, está diretamente associado a um prognóstico significativamente mais favorável. A dermatoscopia e o mapeamento corporal total são exames de imagem não invasivos que permitem ao dermatologista monitorizar a evolução das lesões ao longo do tempo, constituindo uma ferramenta fundamental na deteção precoce de alterações suspeitas.

 

O protetor solar é, quando bem utilizado, uma das ferramentas mais eficazes na prevenção do envelhecimento cutâneo e do cancro da pele. Mas a sua eficácia depende de como é usado (da quantidade aplicada, da frequência com que é reaplicado, do fator de proteção escolhido e das zonas que cobre).

Quatro erros aparentemente simples podem comprometer significativamente aquilo que é, na prática, uma das medidas preventivas mais acessíveis e com maior impacto na saúde da pele a longo prazo.

Este verão, vale a pena rever os próprios hábitos. Na CliniAlba, a consulta de Dermatologia permite uma avaliação detalhada e especializada da pele, com recurso a tecnologia adequada para o diagnóstico precoce de lesões cutâneas e dicas personalizadas para hábitos e rotinas dermatológicas mais saudáveis.