A rosácea é uma condição inflamatória crónica da pele, mais conhecida pelas vermelhidões na face, especialmente nas bochechas e nariz. No entanto, o que muitas pessoas desconhecem é que esta condição pode afetar também os olhos – o que se designa por rosácea ocular.
Trata-se de uma forma menos visível, mas igualmente desconfortável e, se não for tratada de forma adequada, pode levar a complicações oftalmológicas sérias.
Neste artigo, explicamos o que é a rosácea ocular, quais os seus sintomas, fatores de risco e, acima de tudo, como pode ser tratada e controlada.
O que é a rosácea ocular?
A rosácea ocular é uma inflamação crónica que afeta as pálpebras, a superfície ocular e, por vezes, estruturas mais profundas do olho. Pode ocorrer em pessoas com rosácea cutânea, mas também pode surgir de forma isolada, antes ou sem manifestações na pele.
Esta condição provoca sintomas como vermelhidão nos olhos, ardor, sensação de corpo estranho e maior sensibilidade à luz. Em casos mais avançados, pode afetar a córnea e comprometer a visão.
Quem pode desenvolver rosácea ocular?
Embora possa afetar qualquer pessoa, a rosácea ocular é mais frequente:
- Em adultos entre os 30 e os 60 anos;
- Em pessoas com pele clara, olhos claros e tendência para vermelhidões faciais;
- Em mulheres, embora os casos mais severos sejam mais comuns em homens;
- Em quem já tem diagnóstico de rosácea cutânea, embora possa ocorrer isoladamente.
Quais são os sintomas da rosácea ocular?
A rosácea ocular pode variar de leve a moderada ou severa, e os sintomas podem ser contínuos ou flutuantes. Os sinais mais comuns incluem:
- Olhos vermelhos e irritados;
- Sensação de areia ou corpo estranho nos olhos;
- Ardor, comichão ou sensação de secura;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Lagrimejo constante;
- Inchaço e vermelhidão nas pálpebras (blefarite)
- Visão ligeiramente turva (em casos mais avançados);
- Presença de crostas nas pestanas ou nos cantos dos olhos;
- Pequenos nódulos ou lesões nas pálpebras (semelhantes a terçolhos frequentes);
Estes sintomas podem ser confundidos com outras condições oculares, como conjuntivite ou olho seco, o que por vezes atrasa o diagnóstico.
Quais são as causas da rosácea ocular?
As causas exatas da rosácea (cutânea e ocular) ainda não são totalmente compreendidas. Contudo, sabe-se que há um conjunto de fatores que contribuem para a sua manifestação:
- Predisposição genética;
- Disfunção das glândulas de Meibomius, que produzem parte da camada lipídica da lágrima;
- Inflamação crónica da pele e das margens palpebrais;
- Presença de ácaros Demodex (microrganismos comuns nas pestanas, que em excesso podem agravar a inflamação);
- Resposta exagerada do sistema imunitário;
- Fatores ambientais ou alimentares que agravam os sintomas, como calor, stress, álcool, comidas picantes ou exposição solar.
Como é feito o diagnóstico da rosácea ocular?
O diagnóstico da rosácea ocular é essencialmente clínico, ou seja, baseado nos sinais e sintomas observados durante a consulta com o oftalmologista. Pode incluir:
- Exame detalhado das pálpebras, conjuntiva e córnea;
- Avaliação das glândulas de Meibomius;
- Exame do filme lacrimal (quantidade e qualidade da lágrima);
- Em alguns casos, o médico pode complementar com fotografias clínicas ou testes à flora microbiana das pálpebras, se suspeitar de sobrecrescimento de microrganismos como os ácaros Demodex.
É importante distinguir a rosácea ocular de outras doenças oculares, como olho seco, conjuntivites alérgicas ou infeciosas, blefarite isolada ou ceratite.
Qual é o tratamento a rosácea ocular?
A rosácea ocular não tem cura definitiva, mas é possível controlar eficazmente os sintomas com medidas combinadas. O tratamento costuma incluir:
1. Higienização das pálpebras
É uma das principais estratégias. Consiste em:
- Limpeza diária das pálpebras com produtos específicos ou compressas mornas;
- Massagem suave das margens palpebrais para libertar as secreções acumuladas;
- Utilização de toalhitas oftálmicas recomendadas pelo seu médico.
Saiba mais sobre a higienização das pálpebras no nosso tutorial completo.
2. Lubrificação ocular
As lágrimas artificiais ajudam a combater a secura ocular e o desconforto. Podem ser usadas várias vezes ao dia, consoante a necessidade.
3. Tratamento farmacológico
- Antibióticos orais (como a doxiciclina ou azitromicina), em doses baixas, são frequentemente prescritos para reduzir a inflamação e controlar a disfunção das glândulas de Meibomius.
- Pomadas antibióticas ou anti-inflamatórias para aplicar nas pálpebras, em períodos de crise.
- Em alguns casos, podem ser utilizados colírios com anti-inflamatórios, mas sempre sob orientação médica.
4. Controlo dos fatores desencadeantes
Evitar gatilhos que agravam a condição é essencial. Por exemplo:
- Reduzir a exposição solar;
- Evitar alimentos picantes, álcool e ambientes com ar seco;
- Usar óculos de sol com proteção UV;
- Gerir o stress, que pode agravar os surtos.
5. Tratamentos complementares
Em casos resistentes, podem ser considerados:
- Terapias com luz pulsada intensa (IPL) para estimular as glândulas das pálpebras.
- Remoção dos ácaros Demodex com produtos específicos, se a presença destes microrganismos for excessiva.
A rosácea ocular pode afetar a visão?
Sim, em casos graves e não tratados, a rosácea ocular pode provocar inflamação da córnea (ceratite), levando a úlceras e cicatrizes que afetam a acuidade visual.
Felizmente, com um diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria das pessoas consegue viver sem grandes limitações, mantendo os sintomas sob controlo.
A rosácea ocular é uma condição crónica, mas com o acompanhamento certo, pode ser controlada com eficácia. O papel do oftalmologista é fundamental para identificar a doença, orientar o tratamento e prevenir complicações.
Se sentir ardor nos olhos, vermelhidão frequente, sensação de corpo estranho ou tem diagnóstico de rosácea cutânea, não ignore os sinais. Na CliniAlba, estamos preparados para avaliar, diagnosticar e tratar problemas oculares com experiência e tecnologia avançada.
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