O glaucoma é uma das principais causas de perda de visão irreversível no mundo, mas, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar a doença e preservar a visão.

Embora os colírios e medicamentos sejam os primeiros recursos terapêuticos, algumas situações exigem intervenções cirúrgicas para controlar a pressão intraocular (PIO), o principal fator associado ao glaucoma.

Neste artigo, abordamos as questões mais frequentes relacionadas com a cirurgia de tratamento do glaucoma, ajudando a esclarecer dúvidas sobre o procedimento, os riscos e os benefícios.

Em que situações a cirurgia de glaucoma é recomendada?

A cirurgia é indicada nos casos em que outros tratamentos, como colírios ou laser, não conseguem reduzir suficientemente a pressão intraocular ou quando há progressão do glaucoma, mesmo com a medicação.

Além disso, alguns tipos de glaucoma, como o glaucoma congénito ou o glaucoma de ângulo fechado em crises agudas, podem exigir intervenção cirúrgica como primeira linha de tratamento.

Que tipos de cirurgia de glaucoma existem?

Existem várias técnicas cirúrgicas disponíveis, e a escolha do procedimento depende do tipo e da gravidade do glaucoma, bem como da resposta individual ao tratamento. As opções mais comuns incluem:

  1. Trabeculectomia:
    É a cirurgia mais realizada para o glaucoma. Consiste na criação de um canal de drenagem na esclera (parte branca do olho) para permitir o escoamento do humor aquoso, reduzindo a pressão intraocular.
  2. Cirurgia com dispositivos de drenagem:
    Implanta-se um pequeno tubo ou válvula para drenar o humor aquoso. Este método é frequentemente usado em casos de glaucoma mais avançado ou secundário.
  3. Procedimentos minimamente invasivos (MIGS):
    Estes procedimentos, como o implante de stents, são menos invasivos e geralmente utilizados em casos leves a moderados de glaucoma. Têm a vantagem de um tempo de recuperação mais rápido.
  4. Esclerotomia profunda não perfurante:
    Técnica que evita a abertura direta da câmara anterior do olho, reduzindo os riscos associados.
  5. Ciclofotocoagulação:
    Utiliza um laser para reduzir a produção de humor aquoso pelo corpo ciliar, diminuindo a PIO.

A cirurgia de glaucoma é segura?

Sim, a cirurgia de glaucoma é, geralmente, segura quando realizada por um oftalmologista-cirurgião experiente. No entanto, como qualquer procedimento cirúrgico, apresenta alguns riscos, como infeções, inflamação, hemorragia ou alterações na visão.

É essencial discutir com o seu médico os benefícios e os potenciais riscos associados à cirurgia, para tomar uma decisão informada.

A cirurgia de glaucoma é dolorosa?

A cirurgia de glaucoma não é dolorosa, uma vez que o/a paciente é submetido/a a uma anestesia local ou geral, dependendo do tipo de procedimento e do estado do paciente.

Após a cirurgia, pode haver algum desconforto ou sensação de corpo estranho, mas geralmente é controlado com medicamentos e desaparece em poucos dias.

Qual é o tempo de recuperação após cirurgia de glaucoma?

O tempo de recuperação pode variar consoante o tipo de cirurgia realizada. Na maioria dos casos, os pacientes conseguem retomar as atividades diárias leves dentro de 1 a 2 semanas, mas devem evitar esforços físicos intensos durante cerca de um mês.

O seu médico oftalmologista irá fornecer orientações específicas sobre como cuidar dos olhos durante o período de recuperação, incluindo:

  • Uso de colírios pós-operatórios para prevenir infeções e controlar a inflamação.
  • Evitar tocar ou esfregar os olhos.
  • Usar proteção ocular ao dormir.

A cirurgia cura o glaucoma?

Não, a cirurgia não cura o glaucoma. O objetivo principal é reduzir e estabilizar a pressão intraocular, prevenindo danos adicionais ao nervo ótico.

A perda de visão causada pelo glaucoma é irreversível, mas a cirurgia ajuda a preservar a visão restante.

É necessário continuar a usar colírios após a cirurgia?

Em muitos casos, os pacientes podem reduzir ou até suspender o uso de colírios após a cirurgia.

No entanto, isso depende do tipo de cirurgia realizada e da resposta individual. Alguns pacientes podem precisar continuar a usar medicamentos para manter a PIO sob controlo.

Quais os possíveis efeitos secundários da cirurgia?

Embora a maioria das pessoas tenha uma boa recuperação, a cirurgia pode causar alguns efeitos secundários, como:

  • Visão turva temporária.
  • Vermelhidão ou irritação ocular.
  • Aumento ou redução excessiva da pressão intraocular.
  • Formação de cicatrizes que podem limitar o efeito da cirurgia.

O acompanhamento regular com o oftalmologista após a cirurgia é crucial para monitorizar o processo de cicatrização e ajustar o tratamento, se necessário.

A cirurgia de glaucoma pode ser repetida, se necessário?

Sim, em alguns casos, pode ser necessário repetir o procedimento ou recorrer a outra técnica cirúrgica, especialmente se a pressão intraocular não estiver adequadamente controlada.

O seu oftalmologista irá avaliar a situação e propor a melhor abordagem.

Como posso preparar-me para a cirurgia de glaucoma?

Para garantir o sucesso da cirurgia, siga estas orientações antes do procedimento:

  • Informe o médico sobre todos os medicamentos e suplementos que está a tomar.
  • Siga as instruções específicas fornecidas pelo oftalmologista, como evitar certos medicamentos ou atividades no dia da cirurgia.
  • Organize-se para ter alguém que o acompanhe no dia do procedimento e durante os primeiros dias de recuperação.

A cirurgia para o glaucoma é uma opção eficaz para controlar a pressão intraocular e proteger a visão. Embora possa parecer um procedimento intimidante, as técnicas modernas oferecem alternativas seguras e minimamente invasivas para tratar a doença.

Se tem glaucoma ou foi aconselhado a considerar a cirurgia, discuta todas as opções com o seu oftalmologista. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são as melhores formas de preservar a sua visão e garantir a sua qualidade de vida.